Povos indígenas

O Programa Povos Indígenas foi criado em 2003 e tem tido como palco de atuação a região sudoeste da Amazônia, notadamente a região de divisa entre os Estados de Rondônia e Matogrosso. Essa região é marcada pela presença de povos indígenas de contato recente como o Povo Paíter (Suruí de Rondônia) com quem a sociedade envolvente entrou em contato em 1969. É também a região considerada como fronteira de expansão do agronegócio (sobretudo cultivo de soja e pecuária de corte) e desmatamento. Isso tem causado uma situação marcante de conflito socioambiental e étnico nessa região. A Ocareté elegeu este como o seu território de atuação junto aos povos indígenas da região, sobretudo o Povo Paíter.
Projeto com o Povo Paíter
Realizamos um trabalho com foco no diagnóstico da situação de saúde pública indígena, em duas frentes: controle social e educação popular. Buscamos, por um lado, garantir o pleno exercício do direito à saúde por meio do fortalecimento do papel das lideranças comunitárias, sobretudo nos conselhos de saúde. Por outro lado, realizamos diversas oficinas e círculos de cultura fundamentados na pedagogia de Paulo Freire para a desconstrução crítica das relações de manipulação e dominação e dos fenômenos de conflitos interétnicos. Na frente de atuação relativa ao controle social, também criamos espaços de diálogo com órgãos públicos, em especial a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e a Casa de Saúde do Índio de Cacoal para a melhoria dos espaços e serviços de atendimento em saúde primária. Na frente de educação popular, trabalhamos a arte-educação com mulheres, crianças e jovens lideranças na revitalização do caráter simbólico e ambiental da saúde e no fortalecimento do grupo por meio do diálogo e da resignificação dos mitos ancestrais de origem e das narrativas dos heróis míticos, trazendo para o presente os valores identitários fundamentais do povo Paíter.