Para que cada povo trame os fios de sua história

fev 2nd, 2009 | By ocareté | Category: Destaque

Para que cada povo trame os fios de sua história*

O Brasil é um país de vários povos. Diversos segmentos da sociedade brasileira são marcados por identidades coletivas próprias. Cerca de 8 milhões de brasileiros e brasileiras fazem parte de povos e comunidades tradicionais, ocupando 1/4 do território nacional. Inclui, entre outros grupos, 2 milhões de quilombolas, 1 milhão de atingidos por barragens, 435 mil indígenas, 400 mil quebradeiras de coco, 37 mil seringueiros e 163 mil castanheiros. Estima-se, por exemplo, que 27% do território amazônico é ocupado por terras indígenas.

Esse contexto não é diferente do de toda a América Latina, onde 10% da população, o equivalente a 44 milhões de pessoas, é composta por 522 povos de diferentes etnias. No Brasil e na América Latina, esses povos ajudaram a definir as fronteiras e garantir os territórios e o vem fazendo até hoje, apesar do etnocídio que vem sofrendo desde a época dos descobrimentos. Não se pode mais ignorar a importância e a força da contribuição de povos e comunidades tradicionais com suas visões de mundo, organização social, sistemas de significado e saberes ancestrais.

Não acreditamos que o Brasil seja a soma de seus grupos étnicos tomados individualmente. Acreditamos na força criadora da associação, da aliança desses vários modos de ser e estar no mundo. Acreditamos que o país precisa alargar-se para que em seu interior caibam, de fato, todos os mundos. A Ocareté trabalha para que cada um desses povos e dessas comunidades possam tramar os fios de sua história, garantindo seus bens e direitos e que assim possam realizar seus projetos de futuro.

* Essa frase foi inspirada na fala da Profª. Rita Laura Segato, antropóloga da UnB, em arguição intitulada “Que cada povo trame os fios da sua história: em defesa de um Estado restituidor e garantista da deliberação no foro étnico”, que foi lida na Audiência Pública realizada em 05/09/2007 pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados sobre o Projeto de Lei nº 1057 de 2007 que busca a criminalização da prática do infanticídio em áreas indígenas. Nosso agradecimento à Prof. Rita pela autorização do uso da frase e pela inspiração. Para ler o texto completo da arguição, clique aqui.



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